Quando
morava no interior de Alagoas conheci muita gente interessante, mas ninguém que
se comparasse a Dona Candó. Dona Candó era uma senhora de 80 anos, que viajava
sua imaginação em tempos remotos. Contava histórias do arco-da-velha, arco este
que ela ainda possuía. Em uma noite gostosa de verão, Dona Candó contou que um
dia, montada em seu cavalo, presente do pai, foi passear no lago. Dona Candó,
ainda menina Candó, não vendo ninguém, resolveu se banhar. Como estava sem
roupas de banho, retirou suas vestes e jogou-se no rio para se refrescar.
Alazão, seu cavalo, ficara olhando aquela cena admirado. Ela, moça bonita de
laço e de fita, nua em pelo, ficou ali durante um tempo. Quando saiu, eis que
teve uma surpresa; suas roupas não estavam lá. Disse que procurou com os olhos
ao redor do lago, não obtendo êxito em sua busca. Sem ver ninguém por perto,
mas com a certeza de ser observada, a Menina Candó saiu do rio como se nada
estivesse acontecendo. Montou em seu Alazão e foi para casa nua em pelo, sobre
o pelo do cavalo. Ao chegar na velha porteira, sua mãe, assustada, indagou
o acontecido.
A Menina
Candó, que não gostava da filha do Candongas, um bravo vizinho que há muito
residia naquelas terras, disse que foi obrigada por ela a se despir e a subir
no cavalo naquele estado.
Seu pai,
quando chegou da lida, logo foi a casa de Candongas tirar satisfação. Dona
Candó conta que no fim daquela noite só ouvia os gritos da menina, dizendo: tá
cortando pai, tá cortando!! Não joga álcool não... Álcool não! O que realmente
aconteceu ela disse até hoje não saber, só sabe que a menina Candongas saiu de
casa uma semana depois, com marcas de fio cicatrizando.
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